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Cobertura e uso da terra (MapBiomas Coleção 9)

A fonte MapBiomas — Cobertura e uso da terra (Coleção 9) — id mapbiomas_cobertura, no painel de diagnóstico, eixo 4. Ambiental — traz o mapeamento anual de cobertura e uso do solo do Brasil, recortado no município escolhido. É a única fonte raster do catálogo, e por isso se comporta de um jeito um pouco diferente das outras: o resultado sai num GeoTIFF ao lado do GeoPackage, não dentro dele.

O fluxo no painel é o de sempre — marque a fonte, escolha o município e clique em Carregar selecionadas (guia do painel). Nada para instalar: a leitura usa a pilha GDAL que já vem no QGIS.

Ano e resolução

A Coleção 9 cobre 1985 a 2023 — 39 anos. Ao marcar a fonte, o combo Ano do MapBiomas no painel habilita; o padrão é 2023 (o mais recente) e a escolha fica salva entre sessões do QGIS.

Série 1985–2023, um arquivo por ano
Resolução ~30 m (pixel de 0,000269494585236°, Landsat)
Tipo de dado banda única, Byte — o valor do pixel é o código da classe
CRS do raster EPSG:4326 (WGS 84)
Licença CC-BY-SA (MapBiomas)

Uma camada = um ano. Não há empilhamento de série temporal nem raster multibanda com 1985–2023. Para comparar dois anos, carregue duas vezes, mudando o ano no combo — os arquivos têm o ano no nome e não se sobrescrevem.

Sai em .tif ao lado do GeoPackage, não dentro dele

Esta é a diferença que mais surpreende quem já usou as outras fontes. O recorte é gravado como GeoTIFF na mesma pasta do GeoPackage:

/dados/contagem.gpkg                              ← as fontes vetoriais
/dados/mapbiomas_cobertura_2023_3118601.tif       ← o recorte do MapBiomas

O nome é mapbiomas_cobertura_<ano>_<código IBGE>.tif. A camada é adicionada ao projeto apontando para esse .tif.

Por que não dentro do GeoPackage: o GPKG até guarda raster, mas o driver o reescreve como tiles PNG/JPEG — e um raster categórico Byte com paleta não sobrevive bem a isso: a compressão com perda inventa valores de pixel intermediários, e valor de pixel intermediário, aqui, significa classe errada. GeoTIFF é o formato nativo do dado, e é nele que ele fica.

Uma consequência prática: o skip-exists dessa fonte olha a existência do .tif, não as camadas do GeoPackage. Se o arquivo já está lá, a fonte entra em PULOU; para refazer o recorte, marque Atualizar bases já baixadas (rebaixar), como nas outras. E se você mover o .gpkg de pasta, leve o .tif junto.

Não baixa 1 GB — lê só o município

O arquivo nacional de um ano tem ~1 GB (1,05 GB em 2023). O GISBR não o baixa: o MapBiomas publica COG de verdade (Cloud-Optimized GeoTIFF, blocos de 512×512, LZW, 9 níveis de overview) e o servidor aceita requisições por faixa de bytes, então o recorte via /vsicurl/ lê apenas os blocos que cobrem o município.

Medido em Contagem/MG (~195 km²), coleção 9, ano 2023:

Tempo total (download + recorte) 16,9 s
Tamanho do .tif gerado ~33,5 KB
Raster resultante 580 × 685 pixels

Capital ou município muito grande demora mais, na proporção da área — mas em nenhum caso o arquivo nacional é transferido.

CRS 4326, e o cuidado ao calcular área

O raster fica em EPSG:4326, que é o CRS do arquivo de origem, e isso é deliberado: reprojetar raster categórico exige vizinho-mais-próximo e desloca classe de pixel na borda, sem ganho nenhum (SIRGAS 2000 e WGS 84 diferem em centímetros na escala municipal, e o QGIS reprojeta na tela sozinho). A regra "vetor em 4674" do plugin continua valendo — ela fala de vetor. O que é reprojetado é a máscara: o polígono do município vai de 4674 para 4326 antes do corte, senão o recorte cairia no lugar errado.

Pixel em graus não tem área constante

Em EPSG:4326 a largura do pixel em metros diminui conforme a latitude se afasta do equador. Na altura de Belo Horizonte/Contagem (~19,9° S), um pixel de "30 m" equivale a ~840 m², não 900 m² — um erro de ~7% se você multiplicar contagem de pixels por 900. Para somar hectares de pastagem ou de área urbanizada, calcule no elipsoide (QgsDistanceArea) ou reprojete o recorte para a UTM local (EPSG:31983 em MG) antes de medir.

A paleta e as classes

O GISBR aplica automaticamente a legenda oficial da Coleção 9: renderizador paletado, cor exata de cada classe, rótulo em português ou inglês conforme o idioma do plugin, e só as classes presentes no recorte aparecem na legenda — um município urbano não carrega 42 entradas de mangue e restinga no painel de camadas. A tabela vive em gisbr/core/data/mapbiomas_col9_classes.csv.

As classes que costumam decidir a leitura de um diagnóstico de Plano Diretor:

Código Classe Cor Por que olhar
15 Pastagem #edde8e costuma ser o grande estoque de terra disponível para expansão urbana
30 Mineração #9c0027 cruza com o SIGMINE: o que está mapeado como lavrado, não só requerido
24 Área Urbanizada #d4271e mancha urbana medida por sensor, comparável entre anos
19 Lavoura Temporária (geral) #d5a6bd agricultura de ciclo curto
39 Soja #f5b3c8 destacada da temporária
20 Cana #db7093 idem
40 Arroz #c71585 idem
62 Algodão (beta) #ff69b4 idem
41 Outras Lavouras Temporárias #f54ca9 idem
36 Lavoura Perene (geral) #d390e6 agricultura permanente
46 Café #d68fe2 destacado da perene
47 Citrus #9932cc idem
35 Dendê #9065d0 idem
48 Outras Lavouras Perenes #e6ccff idem
3 Formação Florestal #1f8d49 remanescente nativo
21 Mosaico de Usos #ffefc3 onde o sensor não separa agricultura de pastagem
33 Rio, Lago e Oceano #2532e4 corpos d'água
27 Não Observado #ffffff sem dado — não é "sem cobertura"

A legenda completa (42 classes) é a da Coleção 9 do MapBiomas Brasil, publicada em https://brasil.mapbiomas.org/downloads/codigos-de-legenda/.

As classes se aninham

19 (lavoura temporária) e 39 (soja) não se somam: a hierarquia do MapBiomas tem níveis, e num mesmo ano/município o mapeamento usa o nível mais detalhado que conseguiu resolver. Somar "19 + 39 + 20" como se fossem disjuntas superestima. Confira quais códigos de fato aparecem no seu recorte antes de agregar.

Atribuição

A Coleção 9 é CC-BY-SA: o uso em parecer ou relatório exige citar a fonte, com a coleção e o ano usados. Formato sugerido:

Projeto MapBiomas — Coleção 9 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, ano <ano>, acessado em <data>.

A camada carrega a propriedade data_extracao com a data do download, justamente para você não precisar lembrar.

O que o GISBR não faz

  • Não calcula área nem percentual por classe. A camada é o raster; a tabulação (quantos hectares de pastagem, quanto da área urbanizada cresceu) é análise, e está fora desta entrega.
  • Não cruza com outras camadas — nem com o SIGMINE, nem com o dado agropecuário do IBGE. O cruzamento é seu, no QGIS.
  • Não traz série temporal nem taxa de conversão entre dois anos.
  • Não baixa o mosaico nacional para análise fora do município.

O catálogo completo de fontes está em Referência › Fontes; o detalhe da medição do COG, em docs/diagnostico-plano-diretor/mapbiomas-col9-acesso.md.