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Espelho geobr / censobr

Além do painel de diagnóstico, o GisBR é um Processing Provider chamado gisbr: ele traz para dentro da Caixa de Ferramentas de Processamento os mesmos conjuntos de dados que os pacotes geobr e censobr (IPEA) oferecem em R e Python — "uma linha, uma camada". São 55 algoritmos no total, e como são algoritmos de Processing, funcionam também em modelos gráficos, em lote e no Console Python.

Onde eles ficam

Abra Processar → Caixa de Ferramentas e procure o provedor GisBR. Os algoritmos estão em três grupos:

Grupo O que tem
Geografias (GPKG / v1.7.0) 26 algoritmos read_* — o catálogo legado do IPEA em GeoPackage. É o caminho padrão: lê nativamente, sem nada instalado além do QGIS.
Geografias (Parquet / v2.0.0) 28 algoritmos read_*_v2 — o catálogo novo, em GeoParquet. Precisa do driver GDAL Parquet ou do pyarrow.
Censo (censobr) join_censo — junta as tabelas do censo aos setores censitários.

A lista completa, algoritmo por algoritmo e com o id de cada um, está em Referência › Algoritmos.

Parâmetros comuns

Todos os read_* (v1 e v2) compartilham os mesmos quatro parâmetros:

Parâmetro Rótulo no QGIS Tipo Observação
YEAR Ano enum Preenchido a partir do catálogo do IPEA. O padrão é o ano mais recente disponível para aquela geografia.
CODE Código / sigla texto all (padrão), sigla da UF (MG), código de UF (31) ou código IBGE de município (3106200).
SIMPLIFIED Geometria simplificada booleano Padrão True — geometrias mais leves, renderização rápida. Desmarque quando precisar do traçado original.
OUTPUT Saída camada Destino: arquivo, memory: ou camada temporária.

YEAR é o índice do enum, não o ano

No Console Python, YEAR recebe a posição do ano na lista de anos disponíveis — 0 é o mais antigo. Passar 2020 seria lido como índice 2020 e falharia. Omita o parâmetro para usar o ano mais recente, que é o que você quer na maior parte das vezes.

Algumas geografias (país, biomas, Amazônia legal…) são nacionais e não têm CODE: nesses casos o parâmetro simplesmente não aparece.

No Console Python

import processing

# Municípios de Minas Gerais, geometria simplificada, camada em memória
processing.run("gisbr:read_municipality", {
    "CODE": "MG",
    "SIMPLIFIED": True,
    "OUTPUT": "memory:",
})

O id de cada algoritmo é gisbr:<nome da função> — o mesmo nome usado no geobr em R/Python (gisbr:read_state, gisbr:read_census_tract, gisbr:read_schools…), com o sufixo _v2 para os do backend Parquet:

# Setores censitários de Belo Horizonte pelo catálogo v2
processing.run("gisbr:read_census_tract_v2", {
    "CODE": "3106200",
    "SIMPLIFIED": True,
    "OUTPUT": "memory:",
})

v1 (GeoPackage) ou v2 (Parquet)?

v1 — GPKG / 1.7.0 v2 — Parquet / 2.0.0
Requisito Nenhum: o QGIS abre GeoPackage nativamente. Driver GDAL Parquet ou pyarrow — veja Instalação.
Anos cobertos Dados do IBGE até ~2020. Até 2022/2025.
Download Geografias fatiadas por UF (municípios, setores, áreas de ponderação, meso e microrregiões) baixam só o arquivo daquele estado quando CODE é informado. Os arquivos são nacionais; o filtro por CODE é aplicado depois de carregar.
Exclusivas read_favela_v2, read_polling_places_v2, read_quilombola_land_v2 — não existem no catálogo legado.

Na prática: comece pelo v1. Vá ao v2 quando precisar de um ano mais recente ou de uma das três geografias exclusivas. Se o Parquet não estiver disponível na sua instalação, os algoritmos v2 falham com uma mensagem dizendo como instalá-lo, em vez de quebrar silenciosamente.

Juntar dados do censo (join_censo)

O geobr entrega só a geometria — população, renda e domicílios moram no censobr. O join_censo costura os dois:

  1. Rode um read_census_tract (ou read_census_tract_v2) para o município desejado — essa é a camada de entrada, e ela precisa do campo code_tract.
  2. Abra Censo (censobr) → Juntar dados do censo (censobr) a setores e preencha:

    Parâmetro Observação
    Setores censitários (geobr) a camada do passo 1.
    Ano do censo 2000, 2010 ou 2022 (padrão: 2010).
    Dataset do censobr ex.: Basico, Domicilio, DomicilioRenda (padrão), Pessoa, PessoaRenda.
    Campo-chave (setor) code_tract, já preenchido.
    Prefixo nos campos do censo censo_ — evita colisão de nomes com os campos da geometria.
  3. O resultado é a camada de setores com as colunas do censo anexadas, prontas para um mapa coroplético.

Chave normalizada e contagem reportada

code_tract vem como número no geobr e como texto no censobr — um join direto casaria zero registros. O algoritmo normaliza a chave para texto nos dois lados antes de juntar, e informa no log quantos setores casaram e quantos ficaram sem correspondência. Se esse segundo número for alto, é sinal de ano ou dataset trocado, não de erro do plugin.

O join_censo também depende do Parquet (é o formato do censobr), e os arquivos de setor do censobr são nacionais — o primeiro download é pesado. O join mantém apenas os setores da camada de entrada.

CRS

Tudo sai em SIRGAS 2000 / EPSG:4674, geográfico, como no geobr original. Para medir área ou distância, reprojete antes para o fuso UTM correspondente (em Belo Horizonte, EPSG:31983) — cálculo métrico em coordenadas geográficas não vale.

Vintage dos dados

Não confunda o ano de referência dos dados (a vintage: o censo de 2010, a malha municipal de 2020) com a data em que você baixou. O parâmetro YEAR escolhe a vintage; a data do download só diz quando o arquivo entrou no seu cache. As duas coisas andam separadas, e é a vintage que precisa constar do seu relatório.

Cache e mirrors

O primeiro uso de cada geografia baixa o arquivo e o guarda em disco (~/.cache/geobr-qgis/, ou o equivalente do seu sistema); as execuções seguintes leem do cache, sem rede. Apague a pasta para forçar um novo download. O download tenta o servidor do IPEA e, se ele falhar, o espelho no GitHub — os detalhes, e o que fazer diante do erro de certificado no Windows, estão em Referência › Rede e certificados.